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Marcelino Champagnat e o Jovem Montagne

 

Montange - 2014/15

Vida de São Marcelino José Bento Champagnat
Ir. João Batista Furet - 1856

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Bicentenary of the foundation of the Institute
Resources: Year Montagne | Year Fourvière | Year La Valla

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O Pe. Champagnat funda o Instituto dos Irmãozinhos de Maria

As preocupações do ministério sacerdotal e os frutos de salvação que operava nas almas não conseguiam fazer o Pe. Champagnat esquecer o projeto dos Irmãos. A idéia o perseguia em toda parte: no afã das tarefas mais absorventes, nas viagens e visitas aos camponeses, que viviam na maior ignorância, nos catecismos das crianças, nas horações e mesmo no altar durante a celebração do santo sacrifício da missa. Em seus íntimos colóquios com Deus jamais esquecia o projeto. Freqüentemente rezava: “Eis-me aqui, Senhor, para cumprir a vossa divina vontade”1. Às vezes, temendo ser vítima de ilusão exclamava: “Meu Deus, afastai de mim esse pensamento se não vier de vós2 ou se este projeto não contribuir para vossa glória e a salvação das almas”. Tais perplexidades, nascidas de profunda humildade, não o impediam de preparar a execução de seu plano.

Desde o primeiro dia3 em Lavalla fixava os olhos sobre um jovem pensando fazer dele o primeiro membro da nova sociedade que pretendia fundar. O jovem veio convidá-lo, certa noite, para confessar um doente. O Pe. Champagnat aproveitou o ensejo para falar-lhe de Deus, das vaidades das coisas terenas, para iniciá-lo na prática da virtude e sondar-lhe as perspectivas quanto ao modo de vida. As respostas e os bons sentimentos do jovem lhe agradam tanto que no dia seguinte foi visitá-lo em casa,4 levando-lhe o Manual do Cristão.5 Como João Maria Granjon (assim se chamava o rapaz) recusasse aceitá-lo, alegando que não sabia ler, o Pe. Champagnat respondeu-lhe. “Tome-o assim mesmo. Com ele aprenderá a ler e, se quiser, eu mesmo lhe darei aulas de leitura”.

Pouco depois convidou-o a morar na vila, para poder visitá-lo mais vezes e dar-lhes aulas mais seguidas. João Maria Granjon veio, então morar perta da igreja e, orientado pelo Pe.Champagnat, não só aprendeu a ler e a escrever, mas também se tornou para toda a paróquia modelo de piedade e virtude.

A essa altura, um acontecimento, sem dúvida providencial, veio desfazer todas as incertezas do Pe. Champagnat, levando-o, sem mais delongas, a ocupar da fundação do Instituto dos Irmãos. Chamado a confessar um jovem doente6 num povoado, pôs-se imediatamente a caminho, conforme seu costume. Antes de ouvi-lo em confissão, fez-lhe uma série de perguntas para saber se tinha as disposições necessárias para receber os sacramentos; estremeceu-se ao verificar que ele ignorava os principais mistérios, não sabendo nem mesmo se Deus existia. Aflito por encontrar um rapaz de doze anos7 mergulhado em tão profunda ignorância, e temendo vê-lo morrer nessa situação, sentou-se ao lado do doente e começou a ensinar-lhe os principais mistérios e as verdades essenciais da salvação. Assim, levou duas horas para instruí-lo e confessá-lo. Não foi sem grandes dificuldades que conseguiu ensinar-lhe as coisas mais indispensáveis, pois o jovem se encotrava tão doente que mal entendia o que ele falava. Depois de o ter confessado e feito repetir, várias vezes, atos de amor a Deus e de contrição, a fim de dispô-lo a bem morrer, deixou-o para atender a outro doente, na casa vizinha.

Ao voltar, perguntou como estava o rapaz: “Morreu instante após sua saída”, responderam os pais em lágrimas. Então ficou alegre, por ter chegado em tempo, mas também temeroso, em razão do perigo em que estivera o jovem, cuja condenação eterna ele, talvez, acabava de impedir. Voltou todo compenetrado destes sentimentos, cismando: “quantos outros meninos se encontram, todos os dias, na mesma situação, correndo o mesmo risco, por não haver ninguém que os instrua nas verdades da fé”. E então, o pensamento de fundar uma sociedade de Irmãos, destinados a prevenir tão sérias desgraças, ministrando às crianças a instrução cristã, perseguiu-o com tamanha insistência que foi ter com João Maria Granjon e lhe comunicou todos os seus planos.


1 Sl 39,9; Hb 10,9.

2 Ficou com a certeza moral de que a sociedade dos Irmãos devia ser fundada e, por ocasião de sua demissão em 1837 (OME, doc. 152, p. 330), ele lembrará que receberá, dos outros futuros maristas, a missão de responsabilizar-se pelo ramo dos Irmãos Maristas.

3 Pela segunda vez, o autor fala de “primeiro dia” (cf. nota 4 do cap. 4).

4 O Pe. Bourdin diz o seguinte: “Premier dim(anche) d’octobre f(rère) J(ean) Marie...” Traduzindo: “No primeiro domingo de outubro, Irmão João Maria – muito ajuizado – veio procurar por um doente em La Rive (aldeia de La Valla), lá ele travou conhecimento” (OME, doc. 166 [11], p. 437. Também LPC 2, p. 300).

5 Livro que continha o Novo Testamento, os Salmos, a Imitação do Cristo e alggumas orações, entre as quais o Ofício da Santíssima Virgem.

6 Jean-Baptiste Montagne, residente no lugarejo de Palais, além de Bessat (OM 4, p. 220).

7 O Ir. Francisco, numa conferência, faz alusão ao jovem moribundo, cuja morte vai estimular o zelo do Pe. Champagnat; mas lhe atribui a idade de 17. Este adolescente, Jean-Baptiste Montagne, nasceu no dia 20 de floreal do ano 8 (10 de maio de 1800) e morreu em 28 de outubro de 1816. Tinha, pois, 16 anos e meio (cf. Registre de cotholicité de La Valla).

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